sexta-feira, 2 de julho de 2010

Daqui a pouco, começa no Clube Cabo Branco a Convenção do Partido Socialista Brasileiro que tornará o ex-prefeito e militante histórico dos movimentos sociais da Paraíba, Ricardo Coutinho, candidadto ao Governo da Paraíba no Mandato 2011-2014.

Eu, Rossana Honorato, pela primeira vez em minha história de vida, serei apresentada pelo PSB como candidata a uma vaga para representar a Paraíba na Câmara Federal porque desejo e luto, todo dia, para que a Paraíba, o Brasil, a Mãe Terra e seus filhos construa uma vida melhor de se viver. Estou determinada e feliz, porque quero que a gente, junta, caminhe em busca da felicidade! Uma felicidade que não vê o dinheiro como uma riqueza acima daquela que somente o trabalho com prazer e a vontade de fazer o bem pode gerar.

Torço pra ver vocês por lá! De laranja&branco. De verde&branco. De roxo&branco. De amarelo&branco. De vermelho&branco...

NÓS SOMOS UM! E A VIDA A GENTE CONSTRÓI TODO DIA.

Um forte abraço! Minha gratidão à confiança da gente estimuladora.

Rossana Honorato, toda ouvidos, oxalá com sua vigília!

Outros contatos comigo:
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terça-feira, 8 de junho de 2010

Passo a passo com RC

Rossana Honorato

Os anos eram os 80. Um hábito era caminhar à beira-mar do Cabo Branco, não importava a hora do dia. Eram cruzamentos esporádicos. As paradas para um rápido alô se faziam através de uma amizade comum, o amigo Mourão, hoje biólogo, doutor em Zoologia, professor da Universidade Estadual da Paraíba em Campina Grande. À distância, a gente via e já sabia quem vinha adiante, o perfil longilíneo e branquíssimo mais a frente a encontrar.

Já em 1982 o cenário era uma plenária no hotel Tambaú. O “Movimento em defesa da orla” redigia a “Carta de Tambaú”. De texto original à mão e caneta em punho, ia-se ajustando as adequações necessárias ao olhar plural dos segmentos sociais ali presentes. Era meu primeiro contato direto com a professora, ambientalista e ex-vereadora Paula Frassinete, que já avistara vez ou outra de bandeira verde em punho no meio da rua.

A lembrança se funde noutro cenário: Universidade Federal da Paraíba, Praça da Alegria do CCHLA ou Centro de Vivência, onde encontros e plenárias estudantis eram rotineiros.

Uma lauda e meia não é tamanho para fazer uma retrospectiva de como a vida reuniu a gente. A idéia surgiu em trocas no twitter. Lá, a gente se perguntava se ele, o ex-prefeito de João Pessoa por dois mandatos, o ex-deputado estadual da Paraíba por duas eleições, o duas vezes vereador de João Pessoa, sua história política e sua vida de habitante do bairro de Jaguaribe ainda não tinha gerado nenhuma biografia...

Na UFPB o movimento estudantil fervia. Ainda ressabiada com o trágico período da ditadura, a nova juventude brasileira, de língua solta, apreendia a vida sem amarras que o momento começava a permitir, ainda que premido pelas velhas práticas que tentavam manter a história vigiada.

Eu era estudante de Arquitetura e Urbanismo. Tinha lá meus 20 anos e coordenava a reativação do Centro Acadêmico de AU, junto a vários colegas, entre os quais Marco Coutinho. Por isso, terminei integrando o Comando Geral de Mobilização da invasão do gabinete do reitor Jackson Carvalho. Representava o Centro de Tecnologia por indicação do ex-vereador e ex-deputado federal do PT, e hoje PSOL, Avenzoar Arruda, então aluno de Engenharia Civil e ex-presidente do Diretório Central dos Estudantes.

Na Arquitetura, a gente cobrava qualidade da formação profissional e participação discente nas decisões que revisavam a estrutura curricular. A questão central que motivou a invasão do gabinete do reitor estava pautada, sobretudo, na luta pela reabertura do serviço do restaurante universitário, ação amplamente coberta pelos jornais da época em meados dos anos 80 do século 20.

Era comum avistar Ricardo nesses ambientes. Lá, também, a gente acompanhava a greve de fome dos estudantes pela gratuidade das refeições do RU. Coisa que levou gente como Wilma Cazé, Wagner Spagnul e dois Chico, o Viola e o César, entre outras pessoas que me foge à lembrança, a acampar no Centro de Vivência e dar-se a essa ação.

Foi no início dessa década que o PT foi criado na Paraíba. Eu apenas acompanhava, simpatizante como era chamada a gente não filiada. Assim me acostumei a estar presente em quase todas as suas agendas importantes de rua.

A memória salta para a década de 90. Era ocasião em que RC já estava envolvido com a política parlamentar, já houvera sido candidato. Aí, já éramos convivas e começávamos a interagir em diversos fóruns e nas boas folias de rua da vida.

Lembro também das audiências que acompanharam a redação final do texto oficial do projeto da Lei Complementar nº 02, finalmente publicada em dezembro de 1992, último ato do prefeito Francisco Franca. Lá, a gente se via de repente com a companheirada da luta por moradia e por reforma urbana, na cobertura do Litoral Hotel, para o lançamento do Plano Diretor. Àquela data, o Plano Diretor de Desenvolvimento Municipal de João Pessoa já lançaria os principais instrumentos da política urbana federal constituída somente em 2001, através da lei nacional nº 10.257, denominada Estatuto da Cidade.

Ricardo era o vereador da gente. Eu militava na reforma urbana e pelas bandeiras da política profissional da categoria dos arquitetos e das urbanistas, que, entre outras coisas, queria bradar nos 04 cantos do Brasil: arquitetura também é cultura!

O Instituto de Arquitetos do Brasil é a organização profissional mais sólida da categoria. Fundado em 1921, esteve presente nas principais lutas pela soberania nacional no século 20, sobretudo no período em que dava esteio a sindicatos e organizações impedidos de reunir-se publicamente.

Aqui na Paraíba, ele nasceu em 1980, mas passou o período de 1989-1993 fechado. Eu e o colega Marco Antônio Coutinho e um conjunto de jovens e antecessoras lideranças da política profissional na Paraíba retomava a intenção de reabilitar o Departamento da Paraíba. Foi o que a gente fez. Eu fui eleita presidente do IAB-PB e Marco Coutinho e outros colegas a forte diretoria que aprumou a entidade até a conquista da bela sede no Largo de São Frei Pedro Gonsalves no Varadouro.

Entra 1993 e lá estava a gente novamente, onde hoje é o Centro de Capacitação dos Professores da PMJP. A Assembléia convocada pela Prefeitura de João Pessoa tinha de eleger três representações das entidades profissionais do recém-criado Conselho de Desenvolvimento Urbano. Compareci na última hora, alertada pelo chamado do vereador Ricardo Coutinho. A sua ação determinada e sua credibilidade foram suficientes para que ele me apresentasse à assembléia e sufragasse o meu nome como uma das representações a integrar a gestão pioneira do CDU.

Dois projetos de lei, entre outros, foram diretamente importantes para o interesse da Arquitetura e do Urbanismo em João Pessoa e na Paraíba. Construídos junto com o vereador RC, uma lei descriminava o concurso público para obras públicas acima de mil metros quadrados; a outra lei dizia que qualquer edificação de médio porte só receberia a carta municipal de “Habite-se” se apresentasse uma obra de porte e significado para deferir a produção local no cenário das artes plásticas da Paraíba.

De outro momento, extraordinário, eu também tive o prazer de participar. A elaboração – a redação coletiva – da Lei Viva Cultura. Instrumento de representação e marco fundador de um novo fazer político na Paraíba e de consagração definitiva da intrínseca relação da trajetória política de Ricardo Coutinho com o meio cultural. Artistas, arquitetas, produtores de cultura se viram refletidos e referendados no “Mandato de todas as lutas”. Lei que se desenvolveu e hoje constitui essencialmente o Fundo Municipal de Cultura da PMJP, como é legítimo e saudável que aconteça com as leis que, aplicadas, ganham longevidade e sustentação como política pública.

De lá pra cá, uma sucessão de outras parcerias, ações conjuntas e muita comunhão na caminhada política de Ricardo Coutinho se firmou. Eram freqüentes os círculos para discutir as ações de seus mandatos que terminaram ganhando a denominação de “Coletivo Ricardo Coutinho”. Do Coletivo passei a integrar a sua assessoria formal a partir da gestão da assembléia Legislativa do Estado.

De 1995 a 99, eu investi paralelamente no curso de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Ciência Sociais e, sem que fosse meio de compensação, a presença de Ricardo Coutinho e de Paula Frassinete entre o rol de meus entrevistados em minha pesquisa de campo tornou-se motivo de enfrentamento diante dos rígidos critérios acadêmicos. Em minha cabeça, a relação vital e fluida entre academia e realidade estava prenhe de convicção. Defendi científica e politicamente a permanência de seus nomes entre os formadores de opinião que me ajudariam essencialmente a escrever os livros “A cidade entrevista” e “Se essa cidade fosse minha...”, publicados em 1999 pela Editora Universitária da UFPB. Outro saldo da Lei Viva Cultura, após a seleção pública para o incentivo cultural que lhe possibilitou a realização.

Em 2000, ainda na assessoria do deputado estadual, a gente tomou a iniciativa de organizar, eu, Sandra Marrocos hoje vereadora, e outros companheiros, a festa “RC2000 faz 40”. O nome era uma invenção espontânea sem qualquer lapidação que terminou pegando. A celebração dos 40 anos de RC bombou na recém-inaugurada boate Intoca do Centro Histórico de João Pessoa. E a gente ainda era 13.

De 2004 pra cá o desafio alcançou outra envergadura. A batalha mirou o Executivo Municipal. Eu integrava a equipe que construía o plano de governo através de seminários denominados “Cidade aberta”. Quando fui atropelada pela forçosa ausência de um mês, para mergulhar em livros e conquistar, pela terceira e última vez, êxito no concurso público que me vinculou definitivamente ao quadro docente da Universidade Federal da Paraíba. O regozijo da vitória apontava à seguinte que viria: era hora de mudar a cara de João Pessoa. Felicidade coletiva imensurável! Ricardo Coutinho prefeito! 74% de aprovação no primeiro turno das eleições de 2004.

De 2004 pra cá, a história está fresquinha. O maestro regeu uma orquestra de muitos sonhos. Sonhos que a gente sonhou junto e que viraram realidade que agora sonha com uma Paraíba também de cara nova.

E um novo desafio está posto: organizar a festa RC2.000e10 faz 40+10! Já-já é hora! Porque de desafios após desafios se fez essa história! Facilidade zero, muita luta e vitória. Das vitórias, as realizações!

Simbora, acordar a Paraíba, gente? Ela também merece outra história.

domingo, 30 de maio de 2010

Voltando-se para dentro

Rossana Honorato

Na experiência administrativa de João Pessoa, como ouvidora geral e coordenadora de implantação de um sistema de ouvidoria, impôs-se a necessária revisão de vários conceitos e paradigmas da ordem pública.

Surgiram denúncias de “infidelidade” ao projeto político de governo ou de uso do ambiente de trabalho para atividades políticas; estas, organizadas por agentes dele, a favor ou desfavor. De visões idênticas, uma ou outra podia ser caracterizada também pelo conceito de “perseguição política”; era só estar no lado oposto à outra.
O senso comum incorpora essas ideias recorrentes sobre as administrações públicas como “perseguição política”, caracterizada pelo desligamento temporário ou sumário de pessoas, seja através da suspensão de contratos de prestação de serviço, destituição de funções comissionadas “de confiança” e, principalmente, uso de retaliação por transferência de ocupação e mesmo de ambiente de trabalho dirigido a pessoas com vinculação estável.
Essas ocorrências levaram a pensar sobre o compromisso de uma gestão governamental com o projeto político definido pelo voto direto da sociedade como o modelo a ser implantado e praticado na duração de um mandato. Receita prescrita no programa de governo da candidatura eleita.
Está claro que resistências haverão de haver, e isso é bem saudável; sobretudo em instantes como o que vive o governo estadual na Paraíba sob o alvo de questões sobre sua legitimidade. Se há algo com que se concorde no processo de uma Paraíba recente que teve seu governo cassado é que novas eleições deveriam ter de havido para garantir a necessária legitimidade e responsabilidade para com a administração do desenvolvimento sustentável do Estado.
Certamente, há de faltar neutralidade nesta abordagem. Falta isenção e decerto sempre faltará a quem se disponha a uma análise. A reflexão é própria de um conjunto de circunstâncias e experiências que constrói o pensamento. Já cria nisso desde a vivência de pesquisadora da Universidade Federal da Paraíba, no curso de projetos de investigação de objetos históricos, teóricos ou empíricos.
Na Ouvidoria Municipal, ainda que eivada de contaminação política, o tratamento buscava ser equânime e jamais pré-conceituoso. Se faltava à condição de inserção na função a autonomia inerente a uma ouvidora pública, era no exercício da auto-vigília que a gente buscava sustentar-se para a tarefa responsável e responsiva de modelação e gestão do novo órgão.
A experiência trouxe uma vitalidade pessoal à condição política, porque com ela uma disposição a mais se acresceu ao desejo de apreender a natureza humana, a da outra pessoa e a da gente própria no curso da gestão pública.
E se havia quem pensasse que a gente iria pactuar com a prática persecutória ou cúmplice, oriunda de agentes de governo de todos os partidos políticos ali alçados à condição de coligação para governar o município, bem como da sociedade vigilante, o que a gente perseguia mesmo era a busca da consciência coletiva sobre os disparates entre o discurso e a prática e o compromisso para com a história do presente e do futuro.
Se se integra um partido político da base de um governo e esse partido se divide com vista ao projeto político que comanda o governo, determinado pelo voto da eleição que o consagrou socialmente, das opções, uma. Ou se acompanha claramente a parte que mantém o apoio ao governo. Ou desse governo se aparta, por força da perda de identificação com ele. Ou se ainda assim nele se mantém que calada fique a boca e o direito de proclamar internamente apoio ao projeto outro, com base numa idéia irrefletida de compromisso partidário em um país de partidos políticos cada vez mais inconsistentes ideologicamente.
Ocorre que a falta de oportunidades e de perspectiva empregatícia no estado da Paraíba é tão alta que muitos bons profissionais técnicos terminam por não encontrar ambiente no mercado de trabalho, seja também pelo enorme desequilíbrio entre a oferta de recursos humanos egressos das unidades de ensino técnico e superior, seja pelas poucas chances de concursos públicos.
E assim acentuada fica uma carência na visão formal de ensino, residente na falta de formação empreendedora de que tanto se ressente o ensino profissionalizante. Formações profissionais que não encaram o desafio de participar do mercado do lado da roda que gira a renda e gera empregos, terminando por profissionalizar pessoas em busca de empregos e sem visão do futuro, de cidadania pró-umbigo e sem condição de participação ativa na própria história.
Impera assim a visão dos oportunistas sobre a cadeia de benefícios que se assoma através da gestão pública, deteriorando e atrasando ainda mais o processo de erradicação da miséria e da ignorância das populações mantidas estrategicamente nessa condição, abaixo de níveis aceitáveis de clareza sobre a realidade.
Na cabeça mora um ideário de gestão pública em que a base da inserção na estrutura administrativa é formada por competência e capacidade de resolução de problemas em um sistema eficiente de concurso público e através de um esforço desmesurado em praticação democrática. Urge superar o atraso mental e os níveis prevalentes de esclarecimento e consciência social do estado da Paraíba e do Brasil.
João Pessoa já palmilha esse caminho. A Paraíba está já chegando lá, ainda que circunstâncias civis momentâneas apontem perspectivas de prorrogação da desordenação pública vigente, pautada estrategicamente em relações de conchavos e contratos pré-estabelecidos, em benefício de si mesmas.
Essa questão, embora diretamente arrolada ao tema, é pano pra outra manga. Mas cabe reconhecê-la como aquela doença auto-imune que corrói gradativamente por dentro todo dia e a troco de qualquer coisa quatro anos mais.
Mas a Paraíba da gente quer saúde, educação, cultura e participação social de mulheres e homens! Novos pensamentos e indicadores no jornal racional.

Perspectivas de desenvolvimento sustentável pós-Cop-15

Perspectivas de desenvolvimento sustentável pós-Cop-15

Cuide bem da natureza
Ela é parte de você
Cuide bem da natureza
Que ela cuida de você
José Augusto e Paulo Sergio Valle

O conflito de avaliação sobre o saldo da reunião internacional do clima de 2009 em Copenhague (Dinamarca) derivou da grande expectativa que envolveu o evento sobre o acordo que adviria pós-Protocolo de Quioto, resultante da 3ª Conferência das Partes, realizada em 1997, no Japão. Realizações importantes iniciadas já há 15 anos(!) pelas Nações Unidas, que resultaram nas conferências anuais de monitoramento dos avanços ou retrocessos, instância suprema da convenção.

Sobretudo diante do tanto de impasses e resistências dos países ditos desenvolvidos e/ou em desenvolvimento ante as metas a definir entre as nações para a redução das emissões de gases poluentes sobre a atmosfera em suas estratégias de desenvolvimento.

Grande expectativa se mantém diante da necessária mitigação das conseqüências geradas pela era Bush, cuja recusa em participar das reuniões anteriores deixou rastros para o enfrentamento do problema para todo o mundo. E muita esperança se adiantou à postura de Barack Obama e a influência dos EUA sobre os resultados da Conferência.

No contexto da discussão mundial sobre as mudanças climáticas, o suporte global para um empenho internacional de adaptação à ordem do desenvolvimento sustentável impera porque se trata de problema para lembrar que o mundo é a gente e a gente é e o mundo.

Em recente coluna de Rozália Del Gáudio*, lê-se que a humanidade consome atualmente 30% a mais de recursos naturais que a capacidade de renovação da Terra. E que a ONU chamou atenção neste final de 2009 para um número de vítimas da fome além da marca de 1 bilhão. Informações que revelam um dos paradoxos mais constrangedores do mundo que é a existência de padrões de consumo acima de necessidades pessoais essenciais mediante carências assustadores, como a fome e a miséria, que não parecem diminuir e, pior, com o que a gente parece ter se acostumado a conviver.

A 5ª Reunião das Partes do Protocolo de Quioto, que se deu paralela à COP-15 definiu metas aquém do que se esperava, sobretudo para os países ditos ricos, para o segundo período de compromisso do tratado, de 2013 a 2017. Embora, até 2012, os países desenvolvidos signatários do Protocolo devam buscar reduzir de maneira significativa suas emissões de carbono na atmosfera, contribuindo para atenuar o perigoso aumento da temperatura do planeta.

O Brasil vem desenvolvendo importante protagonismo na dentro do bloco das nações em desenvolvimento, em que pese ainda a carência de visão de suas principais lideranças públicas e privadas. E isso tem repercutido na agenda climática, levando-o à representação inclusive dos países pobres.

Para a glória nacional, foi, por exemplo, o primeiro País a assinar a Convenção do Clima, desde a criação das conferências internacionais. E destacou-se também através de negociadores brasileiros na criação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), desenvolvido a partir de proposta da terra Brasilis.

Para manter essa posição de liderança no cenário internacional, o governo brasileiro precisa mostrar seu comprometimento com as políticas internas, para além dos resultados da COP-15. No campo das ações domésticas, apesar de todas as dificuldades, o Brasil já mostra ao mundo e pode mostrar muito mais que é possível buscar conciliar desenvolvimento com preservação ambiental, especialmente no que diz respeito ao combate ao desmatamento.

O combate ao desmatamento do governo federal, em ações integradas com estados e municípios, revela que o seu comprometimento com a redução das emissões de carbono na atmosfera está gerando resultados positivos. O país chegou a surpreender positivamente a comunidade internacional, ano passado, quando apresentou seu Plano Nacional sobre Mudanças do Clima. E nesta COP-15, outro anúncio elevou o prestígio brasileiro: a aprovação do Fundo do Clima para a política nacional.

Fundo que vai movimentar recursos para financiar ações de adaptação e mitigação às mudanças climáticas, com medidas de padrões ambientais e metas de redução e remoção de gases do efeito estufa, com recursos a instrumentos de controle. E a boa nova é a previsão de aplicação de critérios diferenciados em licitações públicas para favorecer produtos e serviços que signifiquem maior economia de energia, de água e de menor emissão de gases poluentes e o aumento de investimentos em energias renováveis.

Essas notas nos enchem de ânimo para fechar 2009 e pisar em 2010 focando o maior desafio para uma efetiva política de desenvolvimento sustentável. E o maior o enfrentamento ainda se vislumbra na resistente mentalidade de lideranças políticas, muito pouco dedicadas à informação e sobretudo à auto-educação para aderir à necessária mudança de paradigmas.

Mas o que mais falta, de verdade, é simples compreensão para toda a gente, e não somente a mais humilde, sobre essas relações significantes das consequências da Conferência das Partes para o futuro da vida no e do planeta.

A mudança de que a gente precisa passa, sem dúvida, pelo estabelecimento nas políticas públicas brasileiras de um sistema estratégico de fundamento de valores essenciais: ética, técnica e saber. Relações que não podem esmorecer entre política partidária e gestão pública. E isso pode começar pela reinserção nas grades curriculares do Ensino Fundamental e Médio da disciplina Moral & Cívica.

Que em 2010 o Brasil seja mais exitoso na gestão pública! Que a gente decida e controle a qualidade do quadro das representações políticas!

2010 lá! Oxalá!

terça-feira, 24 de novembro de 2009


Escuta cultural


Para ouvir basta abrir os poros (...)
Quem ousaria Dessas vozes duvida
(A primeira pedra, Carlinhos Brown, Marisa Monte, Arnaldo Antunes)
Reabertura do Banguê. A avant-première que assalta o olho sensível é a Praça do Povo: quatro ou cinco carros acostam ao lado da rampa de subida ao cinema.
Observação registrada, rampa em escalada, outra acontecência: murmúrios revelam a curtição da pipoca com guaraná e resvalam a lugar conhecido: “_ pôxa! Quanto tempo já? É sempre assim. Esquecem o principal”.
O principal é o som, impossível de reter a platéia para o fim a que foi chamada.
A companhia do grupo conduz a outro plano. Repassagem pelos carros enfileirados. Diante de seus guardiães, a gente pára e pergunta, já querendo municiar-se para alertar à presidência da Fundação: “_ Por gentileza, de quem são esses carros?” E escuta a justificativa de bocas de santa plausibilidade: “_ é do governador e de sua segurança”.
Irrequieta como sempre, impossível não emitir a mensagem: “_ Digam ao governador pra prestar atenção à praça, que é do povo”. Nada assim que exija nenhum esforço cognitivo superior ao do senso comum.
Motivo de aperreio social desde seu nascedouro, agonizante em busca de sustentabilidade administrativa e financeira, aos galopes o Espaço da Cultura se transforma em qualquer coisa que lhe garanta a sobrevivência. Intrínseca expressão soberba da cultura da gente.
Por qualquer das frentes que se entra, o primeiro apelo visual da cultura é mercadológico. Comércio de roupas e outros estímulos ao consumo desenfreado se vão incorporando à complexa cultura da economia mundial que rouba avassaladoramente espaços de alimento da alma e gera uma profusão de nichos que dão comida ao corpo faminto de sentido e de identidade.
Como estacionamento privativo virou a mais rentável mercadoria das cidades contemporâneas, a gente precavê o espírito ante o choque de ver a cultura do Espaço sustentada por um “parque” de exposições de veículos.
Já não é curioso que, na história do país, gestores como a gente cheguem a carecer de instrução e desconheçam mesmo a razoável aplicabilidade pública da técnica e da ciência, mas a mínima educação doméstica e a sabedoria popular pregam há milênios que o exemplo é o melhor dos instrumentos de formação de valores de uma sociedade.
Pipoca, guaraná, pompa e tudo o mais: carros estacionados do lado da tela para assistir o cinema... que não é mudo, mas é ruidoso. Quem ousar duvidar das vozes ali presentes, basta abrir os poros. Abrir os poros para aprender a escutar.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Boataria - a que será que se destina?



Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
Cajuína, Caetano Veloso.

Com a graciosa oratória com que consagrou o seu reino, o dramaturgo paraibano Ariano Suassuna já externou a platéias diversas: _ Tem coisa melhor do que falar de um amigo pelas costas? A gente impossivelmente desatenta gargalha! E continua: _ Veja bem: o sujeito desafoga um infortúnio do espírito e ainda preserva o amigo... e se solta numa risada que ecoa...

Do alto de sua sabedoria, o belo velho Suassuna empolga quem lhe ouve com a autenticidade do mestre que fez e faz da vida sua melhor arma, sua grande arte. E para bem vivê-la, divide com galhardia o seu mundo em duas partes: o da gente que com ele concorda... e os equivocados... Risos...

Certamente que a graça do prosador remete a ranhuras tão comuns à vida cotidiana, egressas dos desencontros da convivência, fenômenos que tão bem provam a natureza das relações humanas, comunhão de aprendizes na escalada da vida. De quando em vez, senão todo dia, a gente faz isso. Na ânsia de um desabafo, solta o verbo sem importar-se com o resvalar em distorção ou não do real, com o impacto disso sobre a vida.

Frequentador assíduo de conversas em toda parte, não há quem não tenha sido cúmplice ou vítima de um deles. O boato cresce exótico feito bola de neve em situações de total descompromisso com as conseqüências. Mas também estoura como um balão que se espeta quando, raramente decerto, se dá ao trabalho de conferir-se antes de passar-se adiante. Quando sobrevive a qualquer checagem, vira “lêndea”.

O fenômeno se repete de modo muito parecido. O que ninguém sabe exatamente de onde saiu passa de boca em boca e, em questão de horas, se tanto, com arremates de crochês e bordados vira verdade verdadeira... “Eu não sei, só sei que foi assim”...

Uma frenética busca pela rede mundial de comunicação (olha uma fonte: www.4tons.com/0238.doc) atesta que se trata da mais antiga modalidade de troca social de informação. Antes da invenção da escrita, o boca a boca era o único canal de comunicação social.
A imprensa, capaz de proporcionar distinções entre boato e a verdade dos fatos, apurando e transmitindo informações, presumidamente confiáveis, dá a sua parcela de contribuição à geração e à difusão de boatos.

Boatus, do latim, significa “mugido, grito agudo”. Contam que na Antiga Roma os imperadores, certinhos de que a plebe, como eles, tanto gostava de um cochicho ao pé do ouvido quanto de uma luta de gladiadores, nomeavam delatores (do latim delatio) com a missão de mandar ver nos ouvidos pelas ruas.

Quando a vox populi sinalizava prejuízo à imagem do imperador, os delatores, eficientes agentes de um autêntico SNI da época, versados na arte da guerra psicológica e coisa e tal, lançavam boatos na contramão da história.

Há ditos que resistem aos mais contundentes golpes da realidade. Mas uma coisa todos têm em comum: sua fonte – primária – precisa ser “anônima”. Rastrear a sua origem é tarefa tanto mais difícil quanto mais complexa é a sociedade que lhe dá colo.

Pra ser eficaz, o maldito deve machucar a vítima ali onde dói mais. O bom mesmo tem cara, cor e cheiro de verdade, e, ainda por cima, o aval de gente tida como gente que sabe das coisas. Às vezes, é fato, o danado pode decorrer de um mal-entendido, uma conclusão precipitada do que se vê, lê ou escuta. Uma frase captada, um gesto interpretado, e pronto – faz brotar uma impressão que, levada às últimas conseqüências, pode envenenar a reputação de gente inocente.

O meio artístico é um campo fértil para a germinação de boatos, às vezes criados ou ampliados por publicações sensacionalistas. Não raros são os que se usam para fazer mal a gente pública. Rumores apelam comumente às questões de ordem moral ou emocional: estórias das quais, se pensa, ela não se conseguirá livrar ou só livrar-se-á quando a Inez já tarda morta. Como não há quem não goste de falar mal generalizadamente da gente pública, essas estórias circulam a jato. E proliferam feito cogumelo após a chuvarada.

Outro pulo na web e a gente encontra o relato de um francês que criou em Paris, em 1984, uma Fundação para o Estudo e a Informação sobre os Rumores. Rapidinho, Jean-Noël Kapferer montou um acervo de 10 mil boatos e escreveu Rumeurs (“Rumores”). O pescador de boatos tenta explicar como eles nascem e sobrevivem, apesar (ou por causa) da avalanche de informações produzidas diariamente pelos meios de comunicação.

A gente carrega pela vida afora uma bagagem de idéias, opiniões, imagens e crenças sobre o mundo à volta, a maioria adquirida simplesmente por ouvir dizer. Mas nem todo boato é boato, assim como nem toda notícia é verdadeira. Se o ditado também se sustenta como boato, parece certo é que todo boato tem alguma verdade a ensinar sobre o comportamento da gente e sobre o funcionamento da sociedade em que se vive.

Se existe, a que será que se destina? Certamente que a blasfêmia também atesta alguma admiração da gente que fala sobre a gente de que se fala. “Quem de mim fala por trás algum respeito me traz”. A gente é complexa! O que o contador Suassuna tantas vezes já provou com os causos relatados pelo matreiro fofoqueiro Chicó em “O auto da compadecida”.

O apelo à vulgaridade do recurso sistemático à boataria só evidencia uma radiografia de um mundo cada vez mais dominado pela insensibilidade, pela lei do mais forte, ou pela razão pura, sem sentimentos de beleza, amizade ou amor, usina empenhada que revela uma patologia crescente da comunicação social.

Por falar em comunicação, a 1ª Conferência de Comunicação da história do Brasil foi iniciada. Pela Municipal. E se tem uma coisa de que o país urgente precisa ajustar é a tal “liberdade de empresas”, porque a sua gente barganha a liberdade de opinião... plena! E a oportunidade em João Pessoa está posta para refletir o benefício e o malefício da indústria da boataria para o desenvolvimento da civilidade da gente.

De modo, gente amiga, que mais do que se diz, se fala, se propaga, sobretudo importa o que a gente faz, o que a gente desfaz, o que a gente refaz. Essencialmente importa o que a gente já fez. O que fundamentalmente implica o que a gente ainda será capaz de fazer. E fará.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009


Governança e governabilidade

Eu e os meus companheiros
Queremos cumplicidade
Pra brincar de liberdade
no terreiro da alegria
Chico César

A governabilidade tem sido expressão recorrente no cenário dos poderes públicos do país. Executivo, Legislativo e Judiciário investem sobre o tema. A sociedade organizada e os meios de comunicação social o replicam. Como a cada cabeça equivale uma sentença, o significado atribuído à palavra varia conforme se conjugam essas forças políticas no contexto da civilidade nacional. À capacidade de sustentabilidade da governança, convém aferir a sustentação pretendida.

Tentativas de reflexão são abundantes acerca das possíveis causas e dimensões de uma notória crise de credibilidade social da gestão pública brasileira. É o que se ouve e lê, correntemente: o descrédito – popular – que se lhe circunda; vide as mobilizações na web já não tão recentes para o voto nulo. Não surpreende que se trate de traço parental com a história da gestão pública, embora haja quem depreenda como coisa da marca oficial contemporânea. Um pouquinho de conhecimento da história do Brasil parece ser suficiente para isto.

A reforma do Estado e a redefinição de suas funções já se evidenciaram imprescindíveis a sua adaptação aos, necessariamente novos, desenhos políticos da legítima e complexa representação dos interesses sociais condutores e/ou afetados pelas políticas governamentais. Recursos à coalização de forças sociais e a aplicação de instrumentos de co-gestão revelam um viés estruturante no processo de implantação das políticas públicas elencadas a partir de um projeto de governo.

Contudo, agentes públicos ou cidadãos que compreendem necessária a formação estratégica de coalizões políticas para viabilizar uma governança, porque mantêm o foco na busca de eliminação de gestões desnorteadas quanto ao desenvolvimento sustentável, são firmes em abrir perspectivas que se empenhem em escapar de modelos neoliberais de gestão da economia pública e apostar em ordens de caráter socialista e socializante.

Parece armar-se uma retórica em torno da construção de um Estado que, sem negar a complexidade intrínseca de sua desafiadora relação com o capitalismo contemporâneo, atente para a premente necessidade de humanização da gestão pública, e, ainda que restrinja sua atuação na produção direta de bens e serviços, reforce sua função reguladora das políticas públicas, enfatize seu papel coordenador das agências governamentais nos três níveis da organização federativa e reoriente suas próprias funções de controle, fomentando gradualmente a co-responsabilização da sociedade através de mecanismos e instrumentos promotores da civilidade e de esforçada praticação democrática.

Uma vez retomado o crescimento econômico, é o desenvolvimento político - o desenvolvimento das instituições democráticas - a pauta da vez do Brasil. A tentativa até aqui de pensar governabilidade e crise de governabilidade, busca remeter à origem estrutural-funcionalista dos sistemas políticos brasileiros. E aí compreender a urgência da reforma política no Brasil.

Uma reflexão que bem serve às necessidades que a sociedade incrédula demanda. Se por um lado, engloba características operacionais do Estado - eficiência da máquina administrativa, novos formatos de gestão pública, mecanismos de regulação e controle -, por outro não se deve desviar de sua dimensão político-institucional de capacidade de liderança e de coordenação, desde as iniciativas por coalizões de sustentação do governo, processo decisório, tradição ou inovação da representação de interesses, relações entre os sistemas partidário/eleitoral, àquelas arquitetadas entre os Executivo/Legislativo e o grau de interação público/privado na definição e na condução do desenvolvimento sustentável, com empenhada atenção à postura autoral do Judiciário.

Senão, qual a perspectiva para que os partidos políticos constituam-se efetivamente em reais parceiros do desenvolvimento, cumprindo sua função agregadora dos interesses da sociedade e responsabilizando-se perante o eleitorado, demostrando-se capazes de tomar iniciativas de propor políticas necessárias ao desenvolvimento sustentável socioeconômico, político e cultural do país? Vide o predomínio de um constrangimento eleitoral sobre o comportamento de parlamentares no Brasil; sintoma especialmente relevante quanto aos custos sociais que lhe são inerentes. Constrangimentos que afetam o comportamento dos partidos governistas e dos de oposição, de manifestação bienal a cada eleição, afetando diretamente a sustentabilidade administrativa das políticas públicas.

O que se tenta refletir aqui é o papel de todos os governantes do Brasil, qualquer que seja sua convenção ideológica, e a recorrência de seu envolvimento em um padrão de interação conflituoso com os sistemas partidário/eleitoral, impondo-se um crucial gargalo sobre a capacidade governativa.

Cabe então arrematar com uma pergunta essencial: que democracia a gente é capaz de construir? Afinal, hoje, qual é a liberdade brasileira para falar sobre e praticar a democracia?

Ei, gente do Brasil, e o terreiro da utopia?

Eu e minhas companhias... Aiá...